a virada cultural deste ano, foi a primeira em que eu tomei parte. na de 2006, a primeirona, eu não estava aqui. na do ano passado, eu estava trabalhando no que provavelmente foi o skol beats mais morgado de todos, fazendo o P.A. do Bonde do Rolê (que fez um bom show). eu até pensei em parar ali na sé e ver os racionais, mas algum dos meus santos me segurou no metrô e eu voltei pra casa.
aí nessa virada deste ano tinha um monte de coisa que eu queria ver, mas não vi, tipo a cesária évora. mas eu trabalhei no show da "buzina da pompéia" que foi um show na melhor tradição do "cassino do chacrinha", com apresentação do joão gordo e da elke maravilha, e participação do léo jaime e do wando, entre outros. o momento do wando foi, sem dúvida, o melhor.
e hoje, depois de acordar, eu fui ver o ultraje. a promessa era eles tocarem o "nós vamos invadir a sua praia" na íntegra e na ordem, o que não aconteceu, mas eles tocaram o disco quase todo. Só de ver eles tocarem a música título foi foda, pra qualquer pessoa da minha geração deve ter sido. um daqueles clássicos que você viveu na época mesmo, ainda que na terceira série do primário.
tudo bem que da época do "nós vamos" só tinha o roger mesmo, e que a resposta do público pra "cu" foi maior do que qualquer música do "nós vamos". mas foi emocionante.
hoje eu fui no supermercado comprar ingredientes para o almoço, guaraná, sobremesa, formicida, anti-mofo, essas coisas de casa de gente grande, e entrei na fila do caixa, fiquei por ali olhando as revistas e os salgadinhos que eles deixam ali na gôndola ao longo da fila pra você ter vontade e comprar.
não comprei, mas reparei no camarada na minha frente. ele estava usando uma camisa do cannibal corpse, e a sua feira consistia em duas latas de cerveja e uma smirnoff ice. certamente, dali do supermercado ele seguiria diretamente para uma igreja. pentecostal. além das duas cervejas e da smirnoff ice, o orçamento do companheiro à frente ainda deveria contemplar a passagem de volta pra casa. deveria, porque é assim que funciona, você guarda a passagem de volta e o resto vira cerveja. ou nem isso, e você toma mais uma cerveja e volta a pé. ou dorme alhures, se a smirnoff ice fizer o efeito desejado.
aí eu olhei pra minha feira cheia de laticínios e me lembrei de mim mesmo há uns dez anos atrás, e nas vezes em que eu voltei a pé pra casa. nostálgico, sem dúvida, mas eu ainda prefiro o meu toddy atual.
venho aqui tornar público o meu descontentamento com o crescente número de músicos talentosos que vêm abandonando suas carreiras para tentar a sorte nesse câncer empregatício que é o funcionalismo público. alguém precisa abrir os olhos destes compatriotas enquanto é tempo.
hoje eu comecei a fazer o meu disco. na verdade, eu só resolvi botar isso aqui pra quando, daqui a uns três anos, ele ficar pronto, eu saber quanto tempo levou. dentro das mil e umas coisas que eu estou fazendo e preciso fazer, essa idéia de ter um disco assim meu como artista, que é coisa que eu nunca fui, depende tanto do tempo de eu realmente fazer o disco - tocar e gravar e editar e mixar - quanto de fazer o disco - compor e arranjar e decidir - e também de saber os momentos de amadurecer as idéias e também de abandoná-las - o que é o mais difícil de tudo.
e a prioridade disso tudo é, infelizmente, a última da fila, antes disso tem família, trabalho, casa, outros trabalhos pendentes, estudos bíblicos, exercícios físicos, vários livros pra ler, etc e tal. nesse sentido assim de criar as coisas, eu sempre me deixei pra depois e por último. vai continuar sendo assim, as coisas não mudam do dia pra noite, mas pelo menos eu comecei a fazer alguma coisa.
e tem links novos tb, o do bruno ramos e o do pena schmidt. recomendo a leitura de ambos, fortemente.
hoje eu participei, indo e voltando, do primeiro grande engarrafamento desde que voltei a morar em sp. aparentemente foi um dos maiores em alguma categoria em que avaliem engarrafamentos, talvez só o maior do ano até agora, quem sabe. o que eu sei é que foi mesmo complicado ir até o aeroporto e voltar. e que eu realmente estou morando em são paulo.
eu fiz uma promessa, em prol do bolso e do espaço no apê, de não comprar instrumentos musicais nesse ano. primeiro tb eu tenho alguns para ajustar, feito o tagimão branco e uma giannini diamond que eu finalmente terminei de pagar. estamos em fevereiro ainda, né?